Ponto de Cultura Loucura Suburbana

O Loucura Suburbana é um ponto de cultura na zona Norte da cidade do Rio de Janeiro e é um bloco de carnaval de rua.
Foi criando em 2001 dentro do Instituto Municipal Nise da Silveira, que é um instituto de Psiquiatria originário do antigo Instituto Pedro II, que ficava em Botafogo. A história do Instituto tem muitas reveses, as mais recentes tem haver com a intenção de além de fechar totalmente os ambulatórios e remover todas as estruturas do espaço para comercialização de todo o terreno. O Instituto Nise da Silveira é referencia em tratamento psiquiátrico com uso de atividades artísticas e manuais para melhorar e resgatar os pacientes.
A criação do Loucura tem um elo de comunicação para manutenção do Instituto e sua relação direta com a comunidade, que nem sempre compreende sua dinâmica. 
O Bloco carnavalesco Loucura Suburbana revitalizou o carnaval de rau do Engenho de Dentro, reunindo usuários, familiares e funcionários da rede de saúde mental  e foliões de vários bairros; vem se afirmando, pela cultura, na luta pela extinção dos hospícios  e contra o estigma da loucura, um dos pilares da Reforma Psiquiátrica brasileira.(material sedido pelo Loucura)
Tem aqui se entender que o fim dos hospícios, não acaba com os hospitais dia e nem com os ambulatorios de atendimento preventivo, que ainda são necessários, assim como os atelies e as salas de acolhimento e integração. O que se quer com a Reforma é o fim dos hospícios como internação permanente, como fazia-se no seculo passado, onde as pessoas eram internadas compulsoriamente e muitas vezes enlouquecia de verdade dentro dos pavilhões.
O Loucura é um espaço de resistência que nasce do real vivido e acena para o real possível, em feixes multicoloridos e utopias.

Vamos conhecer um pouco mais de perto?

Entrada do Ateliê de custura.
A minha visita deu-se na sexta-feira a tarde, dia 21 de julho. Quem me recebeu por lá foi a srª. Eunoria, que é funcionaria do ponto de cultura.
Mas antes de conseguir chegar lá, confesso descobri que o Instituto é mundo a parte - um quarteirão inteiro, cercado por grades, que mais assustam que ajudam, onde dentro da área do instituto encontram se funcionando a sede do CRAS - conselho regional de assistência social do Meier e grande Meier, a UPA do Engenho de Dentro, a sede da Guarda Municipal, o Museu da Imagem do Inconsciente e o Instituto de Psiquiatria. Parte desta area gradeada também possui um fossa, que me parece que quando o instituto foi construido tinha como objetivo de inibir os pacientes de fugirem dalí.
Entrei pela portaria que dá acesso ao museu, que acabei visitando rapidamente, e perguntei ao guarda, porque onde era a sede do Loucura, ele me explicou. Bem andei um pouco e logo dei de frente para o atelie, que estava todo fechado. Mas o guarda tinha me informado que ele ficava no alto. Cheguei a uma escada e lá sim estava a sede do Loucura. 

Parte interna da sede. No fundo a d. Maria integrante do bloco.

O espaço do Loucura é bem organizado, possui um biblioteca, um salão de exposições com um pequeno palco para apresentações. Possui material de multimídia para apresentação do vídeo que compõe a exposição deles. Além de que eles estão organizando para montar um cybercafé, o espaço de informatica já existe junto ao salão da biblioteca, divide com uma pequena cantina que deve em breve estar em funcionamento.

Quem me recebeu lá também foi o Eduardo e o Henrique (espero ser esses os nomes pois não anotei!) que trabalham lá também e foram super solicitos comigo, colocaram o video e falaram um pouco do que fazem lá. 
D. Eunoria me explicou das oficinas que acontecem lá e que elas são abertas a comunidade (diferente do Museu do Inconsciente). 

Oficinas do Loucura.
Posso dizer que acessibilidade a sede é enrolada, mas não difícil. Os atelies ficam no térreo e tem como acessar por duas entradas, a do hospital e a do museu. Na sede possui rampa e uma escada. Contudo não observei extintores de incêndio.

Meu estado de encantamento me fechou para ver certas coisas mas me exige que volte lá para mergulhar mais profundamente nos saberes e nas brigas que eles carregam dentro dos seus estandartes que devemos soltar nossas loucuras e acreditar num mundo mais justo e direito a todos.


D. Eunoria acabou me mostrando uma publicação do Instituto de 2007, que conta um pouco da historia do Instituto como um todo. Acabei comprando e depois assim que tiver um tempinho vou le-lo todo, até porque agora quero voltar lá no Loucura para saber a quantas andas os preparativos do carnaval 2018, que ela não soube me dizer e poder quem saber contar histórias com as histórias que ja contam se por-la .